quarta-feira, 6 de agosto de 2008

00. Apresentação

A maioria me chama de Dodi (leia-se DÓdi), alguns me chamam de Do, outros me chamam de Salazar. Meu nome é Carlos Eduardo de Salazar Filho, prazer! Tenho a honra de portar e levar sempre comigo uma das poucas coisas que herdei de meu falecido pai, seu pomposo nome. Aliás, um nome que pouco tem a ver com a minha pessoa. O velho dizia que era nome para um nobre espanhol, coisa do tipo. Para ele, a família Salazar vinha de uma longa tradição da nobreza espanhola. Para mim, tanto faz. Moro em Porto Alegre, RS, nunca fui à Espanha ou à Europa e nunca achei que alguém iria se ajoelhar ou referenciar para mim quando eu mencionasse meu "nobre" sobrenome. Para todos os efeitos sou Dodi Salazar e ponto. O velho e guerreiro Dodi de sempre.

Antes falei que uma das poucas coisas que meu velho me deixou foi o nome. Outras duas coisas ele me deixou: um pequeno apartamento de fundos, num dos bairros mais legais da cidade - pelo menos para mim! -, o bairro Floresta, e, junto com ele, algumas dívidas nada bacanas para serem pagas. Depois que o velho morreu, o apartamento ficou para mim e as dívidas vieram junto. Meus pais eram separados desde que eu tinha uns 14 anos e minha mãe se mudou para uma cidadezinha do interior de Santa Catarina com o namorado. Não a vejo desde os meus 19 anos e pouco, ou seja, há mais ou menos 10 anos.

Caraca, nunca havia parado para pensar que há 10 anos que não vejo minha mãe e só falo com ela de vez em quando por raros e-mails ou por telefone, mais ou menos a cada 2 anos. Que eu saiba ela nunca casou com esse namorado dela, o Ramiro, mas sei que eles têm um filho, o Josué, que deve ter uns 8 anos agora. Nunca conheci pessoalmente o meu meio-irmão. Nunca dei o braço-à-torcer sobre a separação dos meus pais e o fato de que minha mãe simplesmente saiu de casa, foi morar noutro Estado e raramente quis saber da criação do filho. Coisa que a gente supera, mas não esquece. Quem sabe um dia, quando essa teimosia de burro passar, eu não vá para lá, só para ver como estão as coisas e conhecer o guri. Quem sabe, tenho quase 30 anos, a gente amadurece um dia.

Como disse antes, meu velho morreu e me deixou o "apertamento" onde moro. Morar sozinho é uma coisa que eu não escolhi, pois a vida deixou assim determinado para mim. Não foi escolha, mas uma determinação. Eu gostava muito de morar com meu pai. Fiquei muito mal quando ele se foi, passei quase um ano sem rumo. Um ano difícil, mas que passou. Depois que me reencontrei, descobri que morar sozinho tem inúmeras vantagens, se tu souberes viver bem a vida.

Em Porto Alegre, RS, viver a vida é fácil; o díficil é viver e aproveitar, coisa que eu estou tentando fazer muito bem há alguns anos. Essa vida louca de sobrevivência na cidade grande é algo que deve ser compartilhado, coisa que farei daqui por diante.